O QUE É UM BANDO

BANDO
Boa parte dos filatelistas com quem conversei desconhece o BANDO.
Como que uma autoridade poderia enviar Ordens, Leis e outras comunicações que deveriam ser colocadas em prática?

No período Imperial o “BANDO” era uma forma de divulgação que uma autoridade tinha para exercer o poder. Era um documento diplomático descendente (de uma autoridade maior para uma menor).

Os Bandos eram escritos em forma de CIRCULARES e eram assinadas pelos Juízes das diversas localidades por onde a circular passava. Estes, por sua vez, eram encarregados de transmitir estas ordens em forma de cartazes, avisos afixados para que a população soubesse o que mudou, como fazer algo, etc.

O Catálogo de Selos do Brasil – RHM – 58ª Edição incluiu de forma bem simples o Bando como sendo uma peça filatélica.

Ele recebeu o número P-SP-BAN e a cotação de R$ 3.000.

Naturalmente que o valor de um BANDO depende do conteúdo da circular. Alguns falam em aumento de imposto sobre a cachaça, outros sobre a posse de autoridades

e um deles (o mais raro que já vi) sobre a convocação de jovens para o serviço militar, assinado por Dom Pedro I logo após a proclamação da Independência.

A necessidade de montar um novo exército para defender o país após a independência fez o Imperador escrever um Bando de convocação militar. Ele precisou destes jovens e também de mercenários provenientes da Europa.

A seguir mostramos dois exemplos destas raras peças pré-filatélicas:

VERSO DO BANDO COM AS ASSINATURAS 



PARTE INTERNA ONDE EM NOME DO IMPERADOR ASSINA RAFAEL TOBIAS DE AGUIAR

15 de junho de 1833 – Bando do Presidente Rafael Tobias de Aguiar

enviado para Taubaté, São Luiz do Paraitinga, Guaratinguetá, Cunha e Lorena a

respeito dos Inspetores de quarteirão.

Rafael Tobias de Aguiar, casado com a Marquesa dos Santos foi em 1842 um dos líderes, ao lado do Regente Feijó, da revolução liberal.



VERSO DO BANDO COM AS ASSINATURAS



PARTE INTERNA DO BANDO COM A COMUNICAÇÃO

15 de dezembro de 1831 – Bando do Secretário do Conselho Geral da Província de São Paulo, o Padre Manoel Joaquim do Amaral Gurgel enviado para as Câmaras das Vilas da 4ª Estrada e recebido em Taubaté, São Luiz do Paraitinga,  Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Cunha e Lorena a respeito dos livros para as anotações de infrações. O documento é como de costume assinado pelos Juízes de cada cidade ou vila.

Para mim está claro que este tipo de missiva faz parte de uma boa coleção, pois mostra como as autoridades conseguiam fazer chegar ao destino a mensagem escrita e para diversas localidades. São peças espetaculares do ponto de vista histórico e filatélico.